1. Pensamento crítico e analítico

Possuir um pensamento ou espírito crítico é uma competência chave que nem todos possuem. Por exemplo, na era das fake news, é fácil perceber que quem não analisa ou questiona o que lê, o que ouve ou vê, facilmente incorpora essas notícias como verdadeiras.

No mundo do trabalho, ter pensamento crítico é fundamental na resolução de problemas ou na tomada de decisões, e revela que:

  • É curioso, questiona e analisa;
  • Identifica inconsistências e erros nos raciocínios;
  • Reconhece, analisa e constrói argumentos sólidos;
  • Reflete sobre os seus próprios fundamentos;
  • Distingue bons de maus argumentos e desmonta argumentos falsos;
  • Dá importância aos detalhes;
  • É intuitivo e estabelece fácil ligação entre ideias;
  • Distingue informação com valor da que é prescindível.

Por sua vez, a capacidade de análise, intimamente relacionada com o espírito crítico, traduz-se em competências para avaliar e trabalhar com dados e informações. Contrariamente ao que se possa pensar, não é algo exclusivo de quem sabe “lidar com números”. Espírito analítico tem a ver com o próprio comportamento, com a postura em face de um problema.



Esta postura é importante em todas as funções que exijam assertividadeobjetividade precisão. Verifique aqui traços que caracterizam um pensamento analítico:

  • Método e organização;
  • Disciplina e foco;
  • Profunda análise e indagação antes da tomada de decisões;
  • Detalhe e fundamentação;
  • Decisões baseadas em factos.

2. Criatividade e inovação

Qualquer que seja a área de atuação, é possível ser criativo e, se o ambiente o fomentar, também ser inovador.

O “pensar fora da caixa” em tempos de constante mudança, é quase uma exigência a que as empresas se devem auto-impor. Com efeito, a capacidade de as organizações se reinventarem em permanência, a partir da valorização da criatividade e da adoção de uma consciência inovadora, é cada vez mais fator crítico de sucesso.

A criatividade continua a ser imune à inteligência artificial. É geradora de ideias, mas é a inovação que permite criar valor a partir dessas ideias, é a inovação que gera impacto. Para ser inovador não basta sê-lo, tem que beneficiar de um ambiente empresarial que impulsione iniciativas inovadoras, ou seja, a concretização de ideias.

Se é inovador, é criativo também. Mencione estas competências a par, no seu curriculum vitae, dando exemplos das suas concretizações.

3. Resiliência, atitude positiva e flexibilidade

Ser resiliente significa ser resistente às adversidades, ser flexível e ter capacidade de adaptação, saber continuar em frente com uma atitude positiva.



A adversidade pode vir de uma circunstância interna da empresa ou ser algo exógeno, não controlável e inesperado. Impõe boas doses de resiliência. Pode exigir uma completa mudança de rumo a nível interno ou, por exemplo, do posicionamento da empresa no mercado. Exige pensamento críticorapidezflexibilidade coragem para definir um caminho alternativo. É necessário foco na resolução e não no problema.

Em tempos de pandemia, um exemplo de resiliência foi, por exemplo, a forma como em escassas semanas, vendo-se sem mercado, fábricas de tecidos, malhas e confeções portuguesas se reconverteram em produtores de equipamento de proteção individual.

Ser resiliente é não desistir, é ter flexibilidade para se adaptar e persistir. Por isso, se se considera um resistente, não deixe de o mencionar no seu CV. Essa é uma qualidade que encaixa em qualquer desafio profissional.

4. Capacidade de resolução de problemas complexos

A realidade empresarial é cada vez mais complexa. Tal deve-se aos desafios de complexidade crescente com que se depara atualmente.

A entrada em novos mercados ou a criação de novos produtos e melhoria de outros, são exemplos de decisões difíceis de tomar. Um qualquer evento operacional ou externo à organização, com impacto negativo, constituirá um problema complexo a solucionar. Fazer parte de uma economia digital e sustentável é, também, em maior ou menor grau, uma questão particularmente desafiante para qualquer empresa.




Não admira, por isso, a importância que é atualmente atribuída à capacidade de resolução deste tipo de problemas. São normalmente questões mais estruturais que exigem mentes ágeis, críticas, analíticas e assertivas.

Um dos métodos para resolver problemas complexos tem a ver com a sua divisão em problemas menores e a resolução passo a passo, começando pelas questões menores.

Verifique aqui se se revê no perfil de um complex-problem solver e descreva-o de forma enfática no seu currículo:

  • Tem a capacidade de “desmontar” um problema complexo em problemas menores, em vários degraus e sub-degraus, em vez de tentar solucionar o problema como um todo, de uma única vez;
  • Consegue identificar problemas menores e exclusivos entre si, de modo a que a resolução de uns não interfira com a resolução de outros;
  • Usa, por exemplo, as issue trees (“árvores dos problemas”) como ilustração gráfica do problema core e das suas “sub-questões”;
  • É capaz de fomentar o brainstorming, a criatividade e o pensamento “fora da caixa” para cada um dos sub-tipos de problemas que encontrou;
  • Consegue identificar as equipas certas para trabalhar em cada uma das “sub-questões” a resolver, de forma independente e com foco no seu problema concreto, permitindo uma abordagem mais eficiente na resolução do problema maior.

5. Gestão de projetos

Se é uma pessoa com experiência na gestão de projetos, então tem com certeza as aptidões inerentes, como a organização e planeamento, e será também uma pessoa focada capaz de gerir prioridades.

As competências na gestão de projetos são frequentemente solicitadas para determinadas funções, mas ainda que não o sejam para a vaga a que concorre, inclua-as no seu CV. Se é capaz de gerir vários projetos em simultâneo, dê exemplos de quantos e em que período de tempo o conseguiu fazer. Refira o tipo de projetos de modo a que o recrutador possa aferir da respetiva complexidade.

Refira que interações implicavam esses projetos, só dentro da empresa ou interações institucionais. Mencione ainda se o fazia sozinho ou em equipa e, neste caso, a dimensão da equipa. Se geria bem as suas equipas, então estará a evidenciar as suas capacidades de liderança e, ao mesmo tempo, também o seu espírito de equipa.

6. Trabalho de equipa e capacidade de liderança

Nos dias de hoje, espírito de equipa e capacidade de liderança estão intimamente ligadas. Com efeito, se é verdade que o sucesso de uma equipa depende de uma liderança adequada, também não existem bons líderes sem equipas de sucesso e, portanto, sem um trabalho de equipa exemplar.

Vamos por partes. Comecemos pelo espírito de equipa.

Contrariamente aos tempos em que cada um trabalhava de forma seccionada, cumprindo sempre a mesma tarefa, hoje em dia a empresa é encarada como um espaço multidisciplinar, em que as pessoas interagem em diferentes níveis da hierarquia e em diferentes áreas de trabalho.




Saber atuar, simultaneamente, como indivíduo e em equipa, é hoje fundamental. Uma equipa combina pontos fortes individuais com um compromisso de desempenho que é partilhado por todos. Depois, é o sucesso das equipas de trabalho que vai determinar o êxito e a boa performance de uma empresa.

E agora, chegamos à capacidade de liderança.

Uma equipa só será bem sucedida nos seus objetivos, se for bem estruturada e orientada, ou seja, bem gerida. Liderar uma equipa é fazer dela um conjunto coeso, em direção a um objetivo comum, dentro de um ambiente positivo e saudável.

Se a gestão de equipas com sucesso consta da sua experiência anterior, ilustre-a dando exemplos do tipo de tarefas e/ou projetos (mais ou menos complexos) de que foi responsável. Quantifique, sempre que possível, as suas conquistas enquanto líder.

Ter capacidade de liderança exige várias competências em simultâneo, muitas dos quais se se desenvolvem e aperfeiçoam com a experiência profissional. Verifique aqui algumas dessas competências:

  • Estimular a comunicação e a boa interação pessoal;
  • Definir cronogramas, objetivos e métricas adequadas;
  • Organizar e planear;
  • Delegar criteriosamente tarefas;
  • Motivar;
  • Ter empatia e simpatia;
  • Ser positivo e proativo;
  • Ser criativo e inovador;
  • Ser resiliente;
  • Ter espírito critico e analítico;
  • Decidir rápida e assertivamente;
  • Dar e saber receber críticas construtivas;
  • Monitorizar o desempenho.

7. Proatividade

Proatividade é uma competência fortemente valorizada. Espera-se que cada um seja capaz de se antecipar às necessidades, aos problemas, aos desejos dos clientes e das pessoas que o rodeiam. Espera-se que saiba sair da sua “zona de conforto” e maximize todo o potencial de desempenho que possui.

A proatividade é uma poderosa ferramenta de ação que promove que os objetivos sejam alcançados de forma rápida e eficaz. Um colaborador proativo é aquele que não espera que as circunstâncias guiem suas ações, pois é capaz de perceber o que o rodeia e antecipar-se a essas ações, veja como:

  • Mantendo o foco nas soluções e não no problema;
  • Tendo iniciativa;
  • Sendo ágil na perceção e no raciocínio;
  • Tendo auto-estima e confiança em si próprio;
  • Sendo responsável nas suas ações, com segurança e convicção;
  • Sabendo criar oportunidades em que será o protagonista.

8. Capacidade de comunicação

Se preenche o perfil do bom comunicador, saiba que este continua a ser um requisito fundamental em qualquer função. Requisitos fundamentais do bom comunicador, veja se os tem:

  • É fluente na comunicação oral e escrita;
  • É objetivo e conciso;
  • Sabe ouvir;
  • Revela confiança e convicção nas suas intervenções;
  • É empático e simpático nas suas abordagens;
  • Sabe dar e receber uma crítica construtiva;
  • Domina a sua linguagem corporal e percebe facilmente a dos outros;
  • Interage facilmente em equipa;
  • Sabe negociar.

Evidencie as suas capacidades de bom comunicador logo no seu processo de candidatura, nos meios de comunicação que vai escolher, na excelente redação do seu curriculum vitae e/ou carta de motivação, ou na sua oralidade, se optar por vídeo de apresentação.

9. Organização

Organização compreende o que é essencial para manter uma vida estruturada, de acordo com os nossos objetivos. No trabalho, estas soft skills promovem a eficiência, a eficácia e, em última análise, a produtividade. E a produtividade é condição para atingir objetivos e bons níveis de performance, quaisquer que sejam as atividades.

Ao demonstrar estas capacidades no CV e, depois, ao comprová-las no seu dia-a-dia de trabalho, vai evidenciar que tem potencial para ir mais além, nomeadamente para cargos com maior responsabilidade e até de liderança:

  • Organização mental (permite o foco, a racionalidade e espírito crítico, entre outros);
  • Organização do ambiente de trabalho (físico ou virtual);
  • Gestão do tempo;
  • Planeamento;
  • Priorização de tarefas;
  • Capacidade de trabalho em timings exigentes;
  • Multitasking;
  • Delegação de tarefas;
  • Definição de estratégias e monitorização.

As 10 top skills para os próximos 5 anos

O World Economic Forum (WEF) publicou, em outubro de 2020, o top 10 das competências de futuro no seu relatório “The Future of Jobs Report 2020”.

De acordo com aquele Relatório, a adoção crescente da tecnologia vai levar a uma mudança das competências mais procuradas nos próximos 5 anos, continuando a verificar-se uma elevada falta de algumas delas no mercado.

Para os trabalhadores que mantenham os seus trabalhos, o WEF estima que, em 2025, a percentagem de competências core que irão mudar rondará os 40% e que cerca de 50% dos trabalhadores sejam obrigados ao desenvolvimento de novas aptidões (reskilling).

Competências como o pensamento crítico e a capacidade de resolução de problemas complexos mantêm-se no topo das aptidões para os empregadores, num horizonte de 5 anos (o que já acontece desde 2016):

  • Pensamento analítico e inovação;
  • Capacidade de resolução de problemas complexos;
  • Pensamento crítico;
  • Criatividade, originalidade e inovação;
  • Liderança e influência social;
  • Uso, monitorização e controlo da tecnologia;
  • Criação e desenvolvimento de tecnologia e programação;
  • Resiliência, tolerância ao stress e flexibilidade;
  • Raciocínio lógico, resolução de problemas e idealização (do inglês ideation, a 3ª etapa do design thinking).

Fonte: economia.pt